Técnica Aplicada ao Rock

E aí, tudo bem? Espero que sim! Bom, é com muito prazer, que inicio essa nova coluna aqui no blog da Tagima, e espero que através dela eu consiga contribuir para o seu crescimento musical de alguma forma. A ideia é abordar temas pertinentes ao universo guitarrístico, e nessa primeira série, vou falar sobre pontos importantíssimos que compõe o estudo de nosso instrumento, então vamos lá!

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Introdução

Sempre que posto vídeos nos meus canais na internet (website, facebook e youtube) é muito comum receber mensagens e e-mails solicitando que eu ensine determinados trechos ou técnicas utilizadas nesses vídeos. Baseado nisso, tive a ideia de falar sobre as principais técnicas que uso em minhas músicas, solos e improvisos.

Nunca fui um guitarrista que se especializou em determinada técnica, sempre procurei ter um vocabulário variado e usar cada uma de acordo com a sonoridade e a serviço da música. Por isso vamos abordar um pouco de cada técnica, porém antes de iniciarmos, é importante entender o que é técnica realmente.

O que é técnica?

A técnica é, com certeza, uma das partes no estudo da música, e principalmente da guitarra, que mais fascina, mas, é também, na maioria das vezes mal estudada e subestimada. Dentro de um repertório imenso, que abrange várias áreas, a técnica é muitas vezes vista como sinônimo de velocidade. Devemos ter em mente que tocar algo com técnica, é fazê-lo de uma maneira que se obtenha uma melhor sonoridade e com um mínimo de esforço. Quando tocamos algo num andamento lento conseguimos executá-lo com mais facilidade e definição, pois estamos com a musculatura e o corpo relaxados. Não é uma tarefa fácil, mas devemos levar essa mesma condição de relaxamento para os andamentos mais rápidos. Devemos procurar desenvolver a técnica (não confundir com velocidade) desde o início do estudo musical, afinal é necessário ter técnica para dentre outras coisas:

● montar acordes com desenvoltura ao longo do braço do instrumento
● tocar bends e vibratos afinados
● improvisar dentro de uma harmonia proposta
● saber visualizar e tocar os intervalos no instrumento
● tocar no tempo da música

Estabelecendo um Cronograma de Estudo

Tagima Class 2016De acordo com nossos objetivos, sejam eles profissionais ou pessoais, é de suma importância adquirirmos hábitos que sejam condizentes. Como em qualquer outra área de nossa vida, na carreira musical, é necessário o desenvolvimento de um trabalho árduo e principalmente sistematizado.

Todo aprendizado deve ser feito por etapas e respeitando as limitações técnicas, assim como a capacidade de absorver as informações de cada indivíduo. Se pararmos para observar, isso é algo natural do ser humano, que em seu crescimento passa por várias fases, desde o seu nascimento até o rompimento da dependência de seus pais.

Por isso para mantermos um aprendizado crescente e constante, é estritamente necessário termos uma diretriz bem clara e definida de onde queremos chegar. Sendo assim, é importante fazer um programa de estudo que seja condizente com suas características, levando em consideração fatores como: tempo hábil, facilidade ou dificuldade com determinado assunto e claro, suas metas pessoais.

Outro ponto importante que não podemos esquecer nunca durante nossa caminhada, é a questão da persistência. Uma frase do pintor espanhol Pablo Picasso traduz bem isso:

” Um grande trabalho é resultado de 10% de inspiração somados a 90 % de transpiração “.

Muitas vezes o resultado demora a aparecer, porém devemos ter em mente que a fluência e velocidade tão almejadas por nós guitarristas, são resultados de uma eficaz interiorização da informação estudada.

Com a intenção de organizar seu tempo de estudo, sugiro abaixo um pequeno programa, que pode ser usado como exemplo para montar o seu. Nele você encontra os principais assuntos que devemos estudar, divididos em 1 hora de estudo diário, porém você pode e deve organizar o conteúdo que você necessita estudar diariamente, de acordo com suas necessidades e tempo disponível. Na medida que você aumenta seu tempo de estudo, deve incluir intervalos de no mínimo 5 minutos de descanso.

Vale lembrar, que o seu desenvolvimento técnico é também resultado de um crescimento neuromuscular, por isso para evitar problemas como L.E.R, Dort ou tendinite é extremamente aconselhável que você faça um aquecimento que envolva o alongamento de seus músculos e tendões.

Outro ponto importante de ser observado, é que para uma boa concentração, um lugar ventilado, tranquilo e silencioso é primordial, dito isso, vamos ao programa:

tempo de estudo

Obs.: Em “repertório pessoal” pode-se usar para estudar trechos de seus solos ou músicas autorais. Em repertório geral, pegue qualquer música que tenha vontade de tocar e estude-a. Pode ser a música inteira, riff, solo ou outro trecho. Em “Composição”, como a própria palavra sugere, use o tempo para compor uma música ou solo, de acordo com a gig ou trabalho que esteja envolvido. Composição também uma área que devemos estudar e praticar com freqüência.

Criação: Procure sempre criar um riff, solo ou exercício com o conteúdo estudado e tenha sempre um gravador por perto para registrar essas ideias, nunca confie na sua memória.

Concentração: Se concentre naquilo que estiver estudando. Hoje com as inúmeras formas de distrações, como a internet, facebook, youtube é muito fácil perder o foco e se distrair. Costumo dizer para os meus alunos que nosso cérebro é como um HD vazio que só armazena as informações e não tem a capacidade de julgar se elas estão corretas ou não, por isso estude sempre com o máximo de atenção possível.

Metrônomo: É aconselhável o uso de um metrônomo, para que você tenha um parâmetro para medir o seu desenvolvimento e acostumar a tocar sempre no tempo. Hoje em dia existem vários aplicativos de metrônomo gratuito para celular. Você pode também acessar o site: www.metronomeonline.com

Praticar lentamente: vale mais a qualidade que a quantidade e lembre-se: devemos ser como um trem que parte da estação lentamente e aos poucos vai pegando velocidade, sempre em direção ao seu destino.

Regularidade: A regularidade é um dos grandes segredos do aprendizado musical, portanto é importante estabelecer um horário fixo de estudo que esteja de acordo com suas possibilidades, mesmo que seja pouco tempo de início. É melhor estudar 30 minutos por dia de forma “religiosa”, do que estudar 8 horas em apenas um dia da semana com a intenção de “compensar” a falta de prática dos outros dias.

Como falei no início, esses pontos são muito importantes e devem ser assimilados com muita firmeza. Na próxima coluna darei continuidade falando sobre o poder do alongamento e aquecimento e sobre a postura das mãos direita e esquerda.

Um abraço e um bend!!!

Ricardo Soares
É guitarrista da banda Fire, atua como professor de guitarra e violão há mais de 20 anos e está fase final de gravação do seu 3º trabalho solo. Mais informações em: www.ricardosoares.net.

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6 comments

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